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Nova espécie do gênero ‘Homo’ encontrada

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setembro 16, 2015 by Rafael Pereira


Pesquisadores descrevem Homo naledi, um antigo ancestral humano de idade desconhecida que pode ter enterrado seus mortos.

Original em The Scientist, por Bobby Bascomb, 2015. Traduzido com permissão.
Tradução: Rafael Pereira

 

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Crânios dos espécimes de H. naledi // JOHN HAWKS

Existem inúmeras espécies diferentes para quase todo tipo de animais vivos hoje, dezenas de diferentes espécies de baleias e milhares de variedades de formigas, por exemplo, ainda assim há apenas uma espécie de humano. Mas este nem sempre foi sempre o caso, é claro. No passado distante, havia pelo menos nove animais em nosso gênero Homo, incluindo o H. erectus, H. habilis, e o Neanderthal. Agora os cientistas descobriram uma nova espécie para adicionar à nossa árvore genealógica, o H. naledi.

Do fundo de uma caverna quase inacessível, os investigadores da África do Sul escavaram cerca de 1.550 fragmentos de ossos pertencentes a H. naledi – mais fósseis de hominídeos do que havia sido descoberto em 90 anos de explorações na região. Os ossos provem de pelo menos 15 indivíduos, homens e mulheres, de várias idades. “Se você é um antropólogo isto é o melhor que se pode acontecer”, disse John Hawks, professor de antropologia da Universidade de Wisconsin e um colaborador na escavação. Os resultados foram publicados hoje (10 de setembro) em eLife.

Hawks e seus colegas descrevem os ombros, tórax e pélvis do H. naledi como primitivos em morfologia, semelhantes ao do Australopithecus e outras espécies de hominídeos que existiam há 4 milhões de anos atrás. A capacidade craniana do H. naledi é entre 465 e 560 centímetros cúbicos, cerca de um terço do tamanho do cérebro dos humanos modernos e é o menor no gênero, escreveram os pesquisadores.

No entanto, outras características desta nova espécie parecem ser mais modernas. O H. naledi é similar em tamanho e peso total em relação aos menores H. sapiens. Co-autor do estudo, Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul, disse ao The Scientist: “os pés são praticamente indistinguíveis dos humanos modernos. Estes caminhavam”.

H. naledi possui uma combinação de características primitivas e derivadas nunca vista na mão de qualquer outro hominídeo”, escreveram os autores. No entanto, Carol Ward, professora de patologia e ciências anatômicas na Universidade de Missouri, que não estava envolvida no estudo, disse que ela estava desapontada com a falta de dados empíricos apresentados no artigo. “Há apenas pequenas imagens compostas dos fósseis, então não se pode vê-los precisamente e não há dados comparativos comparando-os com qualquer outra coisa”, disse Ward. “Não há nada que podemos usar para fazer nossos próprios julgamentos sobre a validade do que eles estão dizendo.”

A equipe ainda não foi capaz de determinar uma idade aproximada para os fósseis. Ward disse que esta informação será a chave para interpretar seu significado da evolução humana. “É uma incrível coleção de fósseis, sem precedentes e é impressionante”, disse ela, “mas sem uma datação, eles não nos dizem muito mais do que havia em outros tipo de hominídeos já descobertos.”

Em um artigo associado também publicado na eLife hoje, Paul Dirks de James Cook University em Townsville, Austrália, e seus colegas descreveram a caverna remota em que foram encontrados os fósseis de H. naledi. Para chegar à antiga câmara dos espécimes, os pesquisadores tiveram que se espremer através de uma abertura minúscula de apenas 19 cm de largura. Os restos parecem ter chegado na caverna totalmente intactos e decompostos após a deposição. Os pesquisadores não encontraram nenhuma indicação de predação.

Os pesquisadores sugeriram que o local quase inacessível dos fósseis, além de sua abundância e condição intacta, apontam para uma explicação — enterro intencional. Algo que só os seres humanos modernos são conhecidos por fazer.

William Jungers, titular da cadeira de Ciências Anatômicas na Stony Brook University, em Nova York, que não estava envolvido com o estudo, advertiu contra atribuir muito significado à noção de enterro intencional. “Enterrar membros da mesma espécie em um buraco pode apenas significar que é melhor do que deixá-los apodrecer próximo de você”, disse ele. Jungers acrescentou que anteriormente poderia haver outro acesso mais fácil para a entrada da caverna.

Ward também é cético em relação a explicação do enterro intencional. “Se é realmente difícil para chegar à caverna, como você poderia chegar a essa caverna escura longa transportando a sua avó morta?”, ela perguntou.

O significado de H. naledi é provável que se mantenha controverso até que uma idade aproximada para os fósseis possa ser determinada. Não importa a sua idade, Berger está confiante de que “este fóssil será, provavelmente, uma das espécies de hominídeos descobertas mais conhecidas na história desta ciência”, disse ele.

L.R. Berger et al., “Homo naledi, a new species of the genus Homo from the Dinaledi Chamber, South Africa,” eLife, doi:10.7554/eLife.09560, 2015.

P.H.G.M. Dirks et al., “Geological and Taphonomic context for the new hominin species Homo naledi from the Dinaledi Chamber, South Africa,” eLife, doi:10.7554/eLife.09561, 2015.

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